quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Não sei como ela consegue (ser mãe, esposa, trabalhar e cuidar do lar)

Foto: Thomas Leuther

Este é um post desabafo, baseado na reflexão proposta pela nossa querida psicóloga Lucinda Mendonça, especificamente "o que te incomodou em 2012", e os meus eleitos foram: a pressão "dos de fora" e a culpa.

Recentemente assisti à comédia "I don´t know how she does it", com Sarah Jessica Parker e que conta a história de uma mãe de um casal de filhos (uma garotinha na faixa dos 6/7 anos e o caçula de 2 anos) e sua vida de equilibrista. Me identifiquei logo de cara com as neuroses da personagem: produtora de uma infinidade de listas, condutora de várias tarefas, esposa exausta e sem tempo para conversar amenidades com o marido e masoquista pelo sentimento diário de culpa que sente ao abandonar sua cria nas mãos da babá para ir trabalhar (quem nunca?), profissional feliz com a atividade que executa... Como é possível uma mulher carregar ao mesmo tempo sentimentos tão ambíguos: felicidade e angústia? Simples, é só ela ser uma mãe que trabalha fora...

Quando estava grávida fui muito questionada pela minha decisão de continuar trabalhando em uma jornada dupla (pela manhã na empresa e a noite na faculdade, em uma outra cidade) o que totalizava  12 horas de trabalho, em média. Tenho a facilidade de contar com a minha mãe para me auxiliar nos cuidados com a Cecília, assim como minha sogra que sempre me salva nos apuros. Mas eu sofri e sofro até hoje com esse sentimento de culpa e os julgamentos alheios. Eu não vi os seus primeiros passinhos (e dá para acreditar que marido e todos os avós estavam juntos no momento?), eu não a coloco para dormir todos os dias, e divido a educação e ensinamento de valores com aqueles que contribuiram para o que eu sou hoje. Isto é ruim? Sim e Não! Perco vários momentos, mas acompanhei todas as outras vivências e sou feliz assim!

Eu nunca havia pensado em parar de trabalhar até o fim da licença maternidade. A ideia foi tentadora, mas tomou conta de meus pensamentos só por um período. A maternidade, os estudos e o meu trabalho fazem de mim o que eu sou hoje. No meu convívio (junto com a Ciça a cegonha trouxe vários outros babies), tenho algumas amigas que abdicaram do trabalho para se dedicar exclusivamente aos filhotes, e estão muito felizes assim, mas muitas outras continuam trabalhando, e sendo mãe, esposa, companheira, amiga, etc...

O que me incomoda é a insistência em questionar a decisão de uma mãe em continuar trabalhando. O tal julgamento alheio está presente em conversas nas praças, na fila do banco, no supermercado, nos blogs, nas listas de discussão, etc etc etc... Não é legal condenar o outro (ou no caso, a outra mãe) por conta de sua decisão, ou até mesmo de sua necessidade (não é verdade, gente?). É uma questão de escolha.

Atualmente, divido meu tempo entre a docência (que gera muito trabalho extra classe), os estudos e os cuidados com a Ciça e a casa (e marido). A princípio tenho mais tempo de qualidade com ela, mas a pressão externa continua, parece que tempo nenhum é suficiente se não for dedicação exclusiva, e olhe lá, talvez o dia deveria realmente ser de 36 horas.

E a tal "terceirização dos filhos"? A gente sabe que em algum ponto da vida da criança contaremos com apoios externos, os tais terceiros, para o seu desenvolvimento, seja a escola, um curso livre, a turma de escoteiros. Eu conheço algumas mães que se acomodaram no apoio e deixam tudo a cargo da babá, da avó, da empregada, da escola (da lancheira dos filhos, a consulta do pediatra, a vacina, a compra da roupa, a passear no final de semana), e que talvez poderia ser classificado como esta "terceirização total".  Contar com o apoio e ajuda dos outros é ótimo, mas é responsabilidade dos pais cuidar da educação, da saúde, da vivência dos seus filhos em seu ambiente familiar. Também não sou muito a favor do comportamento machista de muitos papais por aí que deixam tudo a cargo de suas mulheres, afinal, "mãe pariu tem que cuidar!". Esse tipo de pensamento é o fim!

A pressão social faz com que nosso sentimento de culpa cresça. O filho pequeno sente? Claro que sim, mas se você possibilitar a ele bons momentos e experiências quando estiverem juntos, tenho certeza que ele estará feliz. Não me lembro aonde, mas uns dos depoimentos mais motivantes sobre a maternidade que li se resumia a seguinte máxima: "a criança não sente a quantidade de horas que você passa com ela, e sim, a qualidade desses momentos".

Pela tripla jornada de trabalho e sem culpa!

Vale a pena conferir:
Visite também o blog Vida de Equilibrista. Acompanho o trabalho da Cecilia Russo Troiano (super competente na minha área), uma das colunistas, e adoro os artigos!


Este post participou da blogagem coletiva proposta pelo Mamatraca na semana Carreira x Maternidade: como eu concilio, em 08/03/13.

4 comentários:

  1. ser mãe, esposa, trabalhar e cuidar do lar e autoras de blog mega atualizado...rsss. Meninas, voces estão de parabéns!!!

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  2. Obrigada querida companheira de jornada e de passeios!
    Você também faz parte desta turma ;)

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  3. Ei Flávia!!! Adorei este post. Como já falamos algumas vezes ninguém tem nada com as nossas escolhas. E nós mães sabemos o que os nossos pequenos precisam. Tudo que queremos e precisamos é respeito!
    Grande beijo!
    Lucinda

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  4. Eu vi esse filme, curti muito... uso ele em encontro de mulheres para que todas possam entender outros pontos de vista. E, o preconceito existe mesmo com as mamães que ficam em casa o tempo inteiro... Da mesma forma que falam de quem trabalha o dia inteiro, a gente também ouve horrores.. Um grande beijo!

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Obrigada pelo passeio Na pracinha!

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